NÓS -CULTURA, ESTÉTICA E LINGUAGENS

 A Revista Nós – Cultura, Estética e Linguagens nasce,  com o objetivo de ser um locus de discussão de temas de relevância acadêmica e cultural. Nesse aspecto, a revista surge, aproveitando-se da hospitalidade do Cerrado, como um lugar de encontros e trocas culturais por excelência, buscando propiciar o convívio entre os diferentes, promover o diálogo entre contraditórios.

             Fruto da iniciativa conjunta e interinstitucional de dois grupos de pesquisa ligados ao CNPq, SECEC, Saberes, Expressões Culturais  e Estéticas do Cerrado, composto por professores da Universidade Estadual de Goiás, e GEHIM – Grupo de Estudos de História e Imagem, administrado por docentes da Universidade Federal de Goiás, a Revista Nós objetiva promover o encontro interdisciplinar entre pesquisadores de diversas áreas que desenvolvem estudos sobre os temas “cultura”, “estética” e “linguagens”. Uma salutar aproximação epistemológica entre literatura, história, geografia, arquitetura e urbanismo, artes plásticas, expressões artísticas populares e eruditas, pop e de vanguarda. O escopo é, potencialmente, infinito.

              O título da revista, NÓS, evoca justamente essa parceria focada na interdisciplinaridade e na multiplicidade de saberes. O sentido de NÓS é tanto estrito quanto simbólico: NÓS do cerrado, NÓS no cerrado, NÓS que nos encontramos no cerrado. O título também explora a polissemia do termo NÓS na língua portuguesa, evocando o pronome pessoal da primeira pessoa do plural, bem como o substantivo que nomeia o “ato de amarrar uma corda”. Os dois sentidos expressam metaforicamente a proposta da revista: a construção plural e a união de saberes. Os diferentes NÓS formam diferentes redes: redes de saberes, redes interpretativas, redes metodológicas, redes conceituais, redes institucionais.

              Um conjunto de individualidades forma o coletivo. E a construção coletiva sempre foi a razão de ser das revistas acadêmicas, sendo isso ainda mais verdadeiro no ambiente digital, marcado pela inteligência colaborativa. Essa individualidade criadora e reflexiva, que é sempre importante defender, é fruto de influências e diálogos, ainda que conflituosos. Um artigo acadêmico é sempre uma construção coletiva, ainda que redigido por um único autor. Em sua confecção, tal autor certamente valeu-se de uma extensa rede colaborativa, formada pela bibliografia, pelos professores, pelo orientador e orientandos, por colegas e amigos e, mesmo, por comentaristas eventuais encontrados em eventos. Pode ter subido nos ombros de gigantes para ver mais longe, como sugeriu Isaac Newton; ou para lhe dar pretensiosos cascudos. Por que não? Humildade científica não precisa excluir o arrojo, desde que se saiba o que se está fazendo, e seja respeitoso. O fato é que quando ocorre a publicação, o artigo incorpora as recomendações dos editores, revisores e pareceristas. Nesse sentido, o artigo, bem como a revista, poderiam facilmente utilizar o lema do Ubuntu: “sou quem sou porque somos todos nós”.

              A palavra NÓS possui ainda outro significado na língua portuguesa: plural da unidade de medida náutica, utilizada para medir a velocidade das embarcações.  Metaforicamente, o termo serve para indicar a aceleração das mudanças contemporâneas. Walter Benjamin, na parte introdutória do seu ensaio “O Narrador”, caracteriza a modernidade como uma época em que nada permanece inalterado, exceto as nuvens. Infelizmente, nem as nuvens estão a salvo do turbilhão de mudanças que atinge a sociedade atual. O mundo está acelerado e esta revista, para manter-se à altura das mudanças, requer uma nova configuração. Nessa perspectiva, ela pretende ser mais dinâmica e mais interligada às redes sociais e, portanto, mais interativa. Como as palavras-chave do título indicam, o estudo da cultura não pode ser desvinculado da linguagem e da estética.

            

Prof ª Drª Heloisa Capel (UFG)  

Prof. Dr. Ewerton de Freitas Ignácio (UEG)

Prof. Dr. Eliézer Cardoso de Oliveira (UEG) 

Prof. Dr. Ademir Luiz da Silva (UEG)

(Editores)

NÓS -CULTURE, AESTHETICS AND LANGUAGES

The Magazine “Nós”, Culture, Aesthetics and Languages, was created to be a locus of discussion of topics of academical and cultural relevance. In this aspect, the magazine emerges taking advantage of the Cerrado[1] hospitality, as a place of encounters and cultural exchanges par excellence, seeking out the coexistence of the different, promoting the dialogue among the discordants.

Product of the joint and interinstitutional initiative of two research groups connected to CNPq, Saberes, Expressões Culturais  e Estéticas do Cerrado, formed by Universidade Estadual de Goiás[2] scholars and Grupo de Estudos de História e Imagem (GEHIM), which is administered by Universidade Federal de Goiás[3] scholars, the magazine “Nós” aims to promote the interdisciplinary encounter amid researches of several areas that develop studies about the themes “culture”, “aesthetics” and “languages”. A salutary and epistemological approach amongst literature, history, geography, architecture and urbanism, visual arts, popular, classical, pop and avant garde artistical expressions. The scope of this work is, potentially, endless.

The title of the magazine, NÓS, evokes precisely this association focused on interdisciplinarity and multiplicity of knowledges.  The meaning of NÓS is as much strict as it is symbolic: NÓS of the Cerrado, NÓS at the Cerrado, NÓS that are in the Cerrado. The title also explores the polisemy of the term NÓS in the Portuguese language, that is a personal plural pronoun and is also a noun that designates the act of tying a rope. Both meanings expresses metaphorically the magazine proposal: to build plurals and to unite knowledges. The different kinds of NÓS create different networks: networks of knowledges, networks of interpretations, method networks, conceptual networks, institutional networks.

A set of individualities moulds the collective. And if collective construction has always being the reason of academic journals, it is more accentuated in the digital environment, which is marked by collaborative intelligence. This creative and reflexive individuality, always important to defend, is the fruit of influences and dialogues, even if conflicting ones. An academic article is always a collective construction, even if written by a single person. Since the author, in its confection, certainly relied on an extensive collaborative network formed by bibliography, scholars, mentors and mentees, colleagues, friends and even by fortuitous commentators found in events.  The writer may have  wanted to climbed on the shoulders of giants to see ahead, as once said Isaac Newton; or may have wanted to give a pretentious nuggie.  Why not? Boldness doesn’t need to be ruled out by scientific modesty, as long as it is well done and respectful.  The truth is that when a paper is published, it incorporates editors, reviewers and referees recommendations.  In this sense, the article and also the magazine can easily embody the ubuntu motto: “I am what I am because we are all us”.

The word NÓS, in the portuguese language, has another meaning: it expresses an unit of nautical measurement that indicates a vessel’s speed. Metaphorically, the term can be used to indicate the acceleration of contemporary changes. Walter Benjamin, in the introduction of The Narrator[4] characterizes modernity as a time where nothing remains unchanged, except for the clouds. Unfortunately, not even the clouds are safe from the whirlwind changes that affect today's society. The world is in high speed and this magazine, to keep up with it, requires a new configuration. In this perspective, it aims to be more dynamic and more interconnected to social networks and, therefore, more interactive. As the key words of the title shows, the cultural studies can’t be detached from language and aesthetics.

            

Prof ª Drª Heloisa Capel (UFG)  

Prof. Dr. Ewerton de Freitas Ignácio (UEG)

Prof. Dr. Eliézer Cardoso de Oliveira (UEG) 

Prof. Dr. Ademir Luiz da Silva (UEG)

(Editores)


[1] Cerrado is the name of the typical vegetation of Goiás and other midwest and north brazilian states. It is many times described as the brazilian savanna and is locatedbetween the Amazon, the Atlantic Forests and Pantanal. 

[2] The University of the State of Goiás was created in 1999 in order to produce and socialize scientific knowledge, develop the culture and the integral formation of professionals and individuals promoting the transformation of the socioeconomic reality of the State of Goiás and Brazil. You can seek more information at http://www.ueg.br/.

[3] The Federal University of Goiás was created in 1960, gathering already existing institutions in the state capital, Goiânia: Law School, Odontology and Pharmaceutics School, Med School and Music Conservatoire, which was an important milestone for the state. You can seek more information at http://www.ufg.br/.

[4] In portuguese avaiable at BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 197-221.