Volume 2,  Número 1 - Fevereiro2017

 


Entrevistas : 

ARTIGOS

Alberto Pessoa e Henrique Magalhães

Resumo: O humor está na origem da História em Quadrinhos, sendo a tira seu formato por excelência. Outros gêneros narrativos também tiveram as tiras como suporte, mas foi com o humor que elas se consolidaram e conquistam ainda hoje uma legião de leitores. O artigo problematiza a nova produção de tiras veiculadas no jornal Folha de S. Paulo, que motivou estudo e classificação de “tiras livres” pelo pesquisador Paulo Ramos. Por meio de reflexões sobre gênero narrativo e humor a partir de Bakhtin, Paulo Ramos, Marcos e Vítor Nicolau, investiga-se os limites das experimentações nas tiras e a propriedade da nova classificação. Palavras-chave: tira; história em quadrinhos; humor.

Ivan Carlo Andrade de Oliveira

 Resumo: Em 1997, na revista Metal Pesado Curitiba, surgiu o personagem O Gralha. Um texto de abertura afirmava que o personagem não era original, mas uma releitura de um personagem mais antigo, o Capitão Gralha, criado pelo pioneiro Francisco Iwerten na década de 1940 após uma viagem aos EUA. Ocorre que essa página era tão verossimilhante que muitas pessoas passaram a acreditar que Iwerten de fato existia, a ponto dele ser premiado e quase ser homenageado por uma escola de samba. Em 2014 o grupo de criadores fez um anúncio público, contando toda a verdade. Isso os liberou para “brincar” com a herança de Iwerten e o resultado disso foi o álbum de quadrinhos “As histórias perdidas do Capitão Gralha”, publicado em 2015. O artigo se dedica a analisar o processo de criação do álbum a partir de conceitos como verossimilhança, simulacro e hiper-realidade.

Gazy Andraus

Resumo: Esse artigo intenta trazer a importância do imagético como alfabetização icônica numa maneira distinta e renovada de se contemplar imagens, com desenhos de histórias em quadrinhos (HQs), apreendendo diferenças de estilos de desenhos, usando-se como estudo de caso as variações do mesmo tema das HQs da personagem Dr. Estranho, diferenciado do rol dos super-heróis, por lidar com conhecimentos esotéricos, de magia e misticismo para manter o planeta e seus habitantes livres de perigos ocultos. A ideia é usar imagens (slides) desfilando-os com algumas informações pertinentes dos desenhos de vários autores, para que a mente neuroplástica do leitor/visualizador se embeveça de seu potencial hemisferial direito cerebral de absorção, expandindo-se e compreendendo melhor as artes e os desenhos (GROENSTEEN), através da confluência com o hemisfério cerebral esquerdo racional que codifica os significados elementares dos desenhos autorais (ANDRAUS).

Lígia Maria de Carvalho

Resumo: Com reedições que ultrapassaram a marca de quatro décadas, as cinquenta e duas HQs que compõem a coleção Pateta Faz História se tornaram um clássico sucesso das produções disneyanas. Inovadora na arte dos desenhos, bem como na originalidade dos roteiros, pois, fazem do Pateta o protagonista e intérprete de personalidades honoráveis da cultura ocidental, a série se torna um permanente e aberto convite ao estudo. Portanto, o presente trabalho visa analisar o conjunto da obra, partindo da concepção de herói, que pode ser considerada o fio condutor dos argumentos dessas histórias quadrinhos.

Paula Mastroberti

Resumo: Este ensaio tem por objetivo propor, sem esgotar, uma reflexão sobre aquilo que se define por artes gráficas ou artes sequenciais e os objetos categorizados sob essa denominação, ou seja, objetos culturais relacionados a ilustrações, quadrinhos, zines animações e jogos eletrônicos. Minha intenção, além de localizá-los no interior do sistema de artes, é, ao mesmo tempo, apontar para uma dificuldade em estabelecer limites entre as diversas modalidades quanto maior é a aproximação do pesquisador. Para produzir este trabalho, recorri a uma grade teórica multidisciplinar, advinda das artes visuais, da história e teoria crítica da arte, dos estudos culturais midiáticos, do design, entre outros. Contudo, este ensaio resulta também da minha experiência como ministrante dos cursos de extensão Quadrinhos e Artes Sequenciais e Ilustração e Livro-arte, ofertados na UFRGS entre 2015 e 1016, além de uma observação atenta às produções gráficas realizadas nas principais cidades brasileiras e algumas capitais da Europa. A partir disso, procuro acompanhar os rumos que essas modalidades e seus estudos acadêmicos vêm tomando nos últimos anos. Para mim está claro que, para além da abordagem teórica, a categorização de uma obra como arte gráfica e/ou arte sequencial, bem como a qualificação de seus valores poéticos, implica uma avaliação crítica dos processos e contextos de sua produção e de sua publicização, avaliação esta ainda dependente de um local acadêmico específico para a consagração das artes gráficas e sequenciais e sua sistematização.

Matheus Moura Silva

RESUMO:  A proposta do presente artigo é analisar o processo criativo do quadrinhista estadunidense Rick Veitch. Principalmente no tocante aos quadrinhos baseados em sonhos, chamados de DreamArt pelo autor, e que se configuram para ele como o trabalho mais importante que produz. Para isso, é realizado um levantamento biográfico do autor para buscar compreender a relação dele com as HQs oníricas. Ao todo são analisados nove sonhos. A escolha de alguns deles foi aleatória, outros, porém, foram escolhidos devido ao significado que possuem para o autor. Como por exemplo, Subtleman, uma série de “sonhos xamânicos” de Veitch. Por meio de aproximações e interpretações/análises de símbolos presentes nas histórias selecionadas, são feitas correlações entre os quadrinhos baseados em sonhos do autor com a Arte Visionária. Enquanto resultado, apesar de haver muito ainda a ser analisado na obra de Veitch, é possível adiantar que o intuito em representar sonhos e a maneira como faz, colocam o trabalho de Rick Veitch como um dos mais prolíficos e importantes do quadrinho visionário.

Octavio Aragão

RESUMO:  Este artigo visa estabelecer pontes entre a estrutura narrativa do arco Estação das Brumas, da série Sandman, escrita por Neil Gaiman e ilustrada por diversos artistas, com os aparelhos destrutivos e simultaneamente ressurrecionais típicos do discurso do romance, de acordo com Roland Barthes e Mikhail Bakhtin. Também identificamos pontos de contato com a Jornada do Herói, de Joseph Campbell e selecionamos passagens da história em quadrinhos em que identificamos os elementos citados, além da presença dos signos romanescos, o terror e a verossimilhança, sem deixar de lado a possibilidade desse trabalho poder ser considerado dentro das definições contemporâneas de Romance, embasando assim a proposição da nomenclatura “Romance Gráfico”.

Profa. Dra. Valéria Aparecida Bari

Resumo: Analisa a função mediadora das adaptações literárias para a linguagem das histórias em quadrinhos na formação do leitor. Concentra-se no letramento e apropriação dos conteúdos das obras produzidas nas Escolas de Literatura do séc. XIX: Romantismo, Parnasianismo, Simbolismo, Realismo e Pré-modernismo. Discute sobre a questão da adaptação literária como gênero produzido por um setor editorial voltado para o leitor novato, mediante o estudo de caso da Coleção Clássicos em HQ, publicada no Brasil pela Editora Peirópolis. Busca, como conteúdo complementar, um rápido diagnóstico para o status do texto quadrinhístico, quando qualificado como adaptação, versão, releitura ou recriação literária, verificando até que ponto houve uma tradução do mesmo para a linguagem visual-verbal, típica da semiologia das Histórias em Quadrinhos. 

Ademir Luiz da Silva e Edgar Silveira Franco

Resumo: O objetivo desse artigo é promover um diálogo entre artista e crítica, a partir da tentativa de comparação de duas obras: a saga de fantasia de ficção científica Star Wars, do cineasta norte-americano George Lucas, e o universo ficcional em quadrinhos do artista multimídia brasileiro Edgar Franco. O trabalho se realizará em duas perspectivas que se pretendem complementares. Num primeiro nível, apresentamos impressões críticas acerca das possíveis aproximações e claros distanciamentos entre as obras citadas, para em seguida abrir espaço para que o artista teça seus comentários acerca dessas mesmas observações, num esforço de reflexão acerca de sua poética criativa, concordando, discordando ou desconstruindo a análise teórica realizada pelo crítico, numa espécie de réplica em “tempo real”, realizada de forma escrita numa faixa paralela de comentários, modalidade atualmente popularizada nas mídias audiovisuais de consumo caseiro (DVD, Blu-ray etc).

RESENHA

Tobias Dias Goulão

Resenha do HQ: CONCLAVE, O livro dos últimos dias

Ademir Luiz

Resenha da HQ: BioCcyberDrama

Ademir Luiz 

Resenha da HQ: O.R.L.A. Liberdade aos Animais

PERFIL DO ARTISTA:

Perfil escrito por Danielle Barros Silva Fortuna